quinta-feira, novembro 30, 2006

Semáforos o novo posto de engate…

Vamos lá começar.
Ligar GPS.
1:30 AM, LX, Avenida lusíada, semáforo junto a loja do cidadão antes de chegar á católica, sentido hospital de santa Maria.
E ali estava eu parado em mais um encarnado, a espera de poder voltar a andar, e já a pensar que ia com toda a certeza ter que parar em todos os outros semáforos que se seguiam dali até a cidade universitária.
Quando reparo que no meu campo de visão periférica se encontrava um carro escuro, e que o condutor estava a olhar para mim.
Olho de lado, e conferia, o condutor, um senhor ai dos seus 35 anos de cabelo típico de executivo com pinta, estava a olhar para mim.
Semáforo verde… segue…
Semáforo junto á católica, estava encarnado, parei com o senhor novamente ao meu lado ainda a olhar mais, nisto tinha reparado que o carro era preto e que era um Audi A4.
Estávamos ali os dois parados, quando reparo que ele estava a fazer-me sinal para eu abrir o vidro…
Abri o vidro e o senhor diz…
“Podia me dizer as horas se faz favor?”
Lolol será que ele acha que eu acredito que um audi novo não tem relógio? Lolol mau modo de meter conversa.
Sorri com ar de quem estava a gozar e disse são cerca de 1 da manha.
“ahh, ok muito obrigado”
Verde, toca a avançar.
O senhor tinha um sorriso bonito, daqueles sorrisos marotos.
Novo semáforo e o senhor não parava de olhar agora mais atento ainda, quando olhei, ele sorriu e fez assim que uma espécie de aceno, e eu pensei isto esta bonito esta.
Verde
Próximo semáforo, e novo sinal para descer o vidro, e lá desci.
“Olhe, desculpe, não quer trocar número de telemóvel?
Estou chocado, pela primeira vez na vida fui abordado por alguém num semáforo. Lolol lindo, assim quase irreal.
“Sim, podemos trocar” disse eu com ar de santo.
“Podemos parar ali a frente e falar um pouco”
Ali a frente? Pensei eu, mas o ali a frente era a cidade universitária.
“Ok, paramos ali em frente a reitoria”
Trocamos número de telemóvel. Falamos ai durante uma hora. E tal como eu previa o senhor era casado, mas gostava de saltar a cerca.
Claro que eu nunca mais lhe disse nada nem ele a mim… lolol ora não fiquei com pena, não nasci para ser a outra, mesmo que fosse uma outra que não precisasse de ser teuda e manteuda, e que fosse uma outra que andasse a comer o marido e não a ser comido…
NÃO, not for me. Eu nasci para ser património da humanidade e para ser tratado e único, não para ser “a outra”.

domingo, novembro 26, 2006

A maior vergonha...

Qual a maior vergonha pela qual uma diva pode passar?
simples, que os preservativos que tem na gaveta passem de validade.
Será sinal que não os usou no prazo de 4 anos...
O que me leva a meter em causa o quanto diva será...

quinta-feira, novembro 23, 2006

Adoro quando eles se fazem difíceis….

Nem mais… espantados como título? Não estejam, não sou diferente de ninguém, quem não gosta daqueles gajos que são assim muito difíceis de alcançar?
Todos… quem não gosta de um bom desafio? De uma boa sedução? Daquele jogo de cão e de gato… onde se dá um dedo, para quererem a mão para depois nos quererem o braço e ai apanhamos tudo.
E ali estava eu… com um desses espécies… sempre com o seu ar de quem não come nem deixa comer, ali estávamos os dois sentados no sofá e cada um na sua ponta a olharmos para a tv a beber um
já muito famoso chá de canabis.
“esta a bater?” perguntei eu.
“não, e a ti?”
“Também não, acho que isto esta falsificado”
“A seguir fumamos uma de erva, já preparo”
E o meu primeiro pensamento foi… em vez de fumarmos uma broca se passássemos a acção não era bem melhor?
Segundo pensamento, meu deus… estou a tornar-me um drogado….
Terceiro pensamento, estas parvo, isto só pode ser do chá, desde quando é que se é um agarrado só por se dar umas passas numa ganza? E depois de se estar meses e meses sem o fazer.
“ok, pode ser, então e se bater muito, depois não vais pensar em me beijar?” disse eu
Merda, ele não respondeu… fez que não ouviu…
“eu faço uma assim fraquinha, para não bater muito”
Pronto já me lixou e eu a ver…
Não acho normal…
Continuou o chá, seguiu os fumos os bafos… o ar estava já carregado de fumo quando eu resolvi me aproximar.
“és uma diva ou um bixa? Uma diva tem que mostrar que quer comer, e se o que fazer tem que ir a caça”
Aproximei-me mais… e plim já estávamos enrolados.
Depois de semanas em conversações a debater os preconceitos da sociedade gay em relação ao se ser activo ou passivo… a debater o estado actual das finanças publicas e o rumo que o orçamento de estado levava, a infância atribulada de cada um, as aventuras amorosas, a historia da casal real de Bragança e a sucessão directa ao trono de Portugal, e a falar na musica que se tinha ouvido no Lux… das ganzas e dos delírios.
Finalmente estava a haver acção, já não era sem tempo… aqueles lábios finos e delicados estavam finalmente encostados aos meus… e beijo vai e beijo vem e beijo dá e beijo rouba e peça de roupa que voa, língua que passa pelo pescoço…
PAROUUUU…. O homem tem mais cócegas que um bebé… só a mim.
Língua no pescoço? Não posso, fica com tesão… (não isto normal e não seria isto um bom indicio?)
Língua na orelha? Não pode ser, fica a morrer de cócegas, perde a tesão.
OK… estas coisas transcendem-me. Ou quer ou não quer…
Beija aqui… beija ali, passa a língua onde é possível.
Peça de roupa pelo ar…
MAMILO… ao ataqueeeeee…
Beijo no mamilo, mais roupa pelo ar…
Ok, e agora?
Esta com vergonha de estar semi nu, tem vergonha do corpo que tem… porquê? Simples tem bariga... sorrir… agora é sorrir.
“Não, não estou a sorrir por estar a gozar com a tua barriga
Estou a sorrir, porque estas a ser parvo, toda a gente tem barriga”
Passemos a frente… roupa pelo ar…
Mais roupa pelo ar.
Isto esta a ficar encaminhado.
Agora so de boxers (eu) e ele de slips, de pé junto a cama.
Beijos e mais beijos.
E os dois em cima da cama… eu por cima
Ele por cima
Eu por cima…
“ai espera”
O que é que foi agora pensava eu…
“deita-te ao meu lado”
Beijos
Slips a voar…
Eu de pé
“Porque que estas ai? Estas a olhar para mim”
“Estou”
Voaram boxers.
Ele por cima…
“ai troca”
Espera… eu já sentado na beira da cama.
“Vira-te” disse eu…
Auuuuu…….
Ora tinha mesmo acontecido, eu estava agora nu, deitado no chão do quarto, a rir que nem um perdido com as pernas para o ar encostadas a cama, nem mais, com tanta volta em cima da cama eu tinha mesmo caído da cama a baixo.
“Não acho normal”
“Estas bem?”
Eu estava bem, mas acho que a minha reputação acabava de cair comigo, só que ela já devia estar ai uns 20 andares a baixo de onde eu me encontrava, que vergonha, que situação, isto não me esta a acontecer…ainda antes de começarmos e depois de tanto esforço, eu estava ali caído, aterrado no chão do quarto.
Ok, já estava de volta a cama, beijos, mão aqui mão ali, boca ali, boca aqui, sim boca aqui.
“Acho que ficamos por aqui”
“há??” ok, isto não me estava a acontecer, ele tinha acabado de dizer que não queria mais? Não acho normal.
Na boa, respondi eu.
“Estas a pensar que sou…”
“enconado? Sim estou.”
“Pois mas o que queres que eu faça? Eu sou assim”
“Simples, deixa de o ser”
Vesti-me, sai para a rua, e meti-me a caminho de casa.
Ser difícil é uma coisa, enconado é uma outra completamente diferente…
Mas ainda não perdi a esperança.
Pode ser que para a próxima.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Paródia no Café...

Qualquer diva que se preze deve ter sempre perto de si uma amiga que seja também ela uma grande diva.
Claro que eu não fujo a regra e também tenho uma amiga que é uma grande diva.
Claro que como boas amigas que somos fomos para um conhecido café de Lisboa uma tarde destas. Os dois sentados a ver quem passava, eu a beber o meu sumo de maça e a comer um sconne com doce e manteiga.
Claro que reparamos em um dos empregados… assim alto, magro e moreno, bem giro como se quer.
Depois de muito dizermos um para o outro que ele estava era a olhar para o outro e não nós… lá chegamos a conclusão que ele olhava mais para mim.
Ora claro que aquilo não podia passar em branco… era preciso acção.
Chegamos a conclusão e depois de muito riso tal duas adolescentes parvas. Que o melhor era deixar o meu numero de telemóvel em cima da mesa, para quando ele viesse levantar a mesa o ver… nem mais, foi mesmo isso que resolvemos fazer…
Escrevo o numero num papel… deixo em cima da mesa e logo depois quando o vimos mais perto da nossa mesa, resolvemos ir saindo do café.
AZAR…. Muito mesmo, ele ali tão perto e quem vem levantar a mesa foi uma gaja, fuck, ele havia levantado as mesas todas, porque a minha ele não levantou? :S puff
Mal percebemos que não tínhamos sido bem sucedidos, pensamos “e agora?”
Agora? Agora vou lá buscar o numero e dizer que me esqueci dele em cima da mesa.
E lá fui eu… lolol
E lá disfarcei a situação e ele sempre a olhar assim meio de lado para não dar a perceber… lolol
Fica para a próxima… já esta combinado.

domingo, novembro 19, 2006

o AMOR...

O Amor....
Para mim o Amor, deve ser o maior mito de todos os tempos.
Assim algo verdadeiramente maior que o mito da existência de Deus.
Vamos la analisar de forma clara o Amor.
Quando se esta apaixonado, perde-se a noção da realidade, etc etc etc.
Portanto the love suck's ...
Para uma diva que se preze o amor deve durar tanto quanto o plafoon do golden master card...
entendido?
Aqui fica mais uma pequena lição...
apaixonem-se por coisas e não por pessoas... é porque quando se fica farto das coisas, podemos sempre mete-las no lixo...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Drama no parque Eduardo VII

Bem cada vez mais me sinto uma carie bradawash… ora aqui estou eu sentado numa mesa de café e a beber um compal vitae de frutos vermelhos… não é bem um cosmopolitan ou um mannhattan, também não estou a comer nenhum donut, nem sequer estou na esquina da 5ª avenida com a 24ª avenida em Nova Iorque.
Mas em compensação estou em Lisboa, sentado numa típica pastelaria de um pequeno bairro lisboeta.
Lá fora a chuva não para.
Mas até tenho banda sonora, como musica de fundo, Jump - Madonna.
Eu aqui sentado, espero que não se atrazem muito mais do que já estão.
A pouco, enquanto conduzia para aqui, reparei num pequeno placar meio solto, que esvoaçava quase em câmara lenta. Estava o cenário ideal, para um filme de terror… por momentos pareceu que o tempo havia parado para todos menos para mim… as arvores abanavam-se quase de uma forma coreografada, onde os movimentos pareciam cada vez mais lentos… não havia um único carro ou ser que estivesse a quebrar aquele momento…estava tudo demasiado em sintonia… literalmente nada até ao horizonte parecia estar em movimento a não ser eu.
Chegaram os amigos…
Bazaram os amigos…
Voltei a ficar aqui sozinho, só mesmo para acabar de escrever este texto…
Nem sequer sei o que vou escrever… tinha tanto para dizer… mas simplesmente não posso…
Mas acho que o melhor é contar o episódio que ontem a noite me retirou o fôlego…
Passo a explicar… já era tarde e chovia muito… depois de sair do cinema e como estava ali ao lado, resolvi fazer um pequeno tour pelo parque Eduardo VII. Sempre havia tido curiosidade em saber quanto é que aqueles pequenos que ali estão quase todas as noites levavam pelos seus serviços… nessa noite como chovia até parecia estar pouca gente… na sua maioria eram rapazes que aparentavam ter menos de 20 anos… todos com um ar de mitra, calças de fato de treino, brincos a Cristiano Ronaldo… etc etc etc
No meio deles todos 2 pessoas haviam me chamado a atenção, um deles era um brasileiro que eu já havia visto pela net e com quem um amigo meu já havia curtido uma vez numa discoteca de Lisboa, confesso que se por um lado achei nojento, por outro lado não achei estranho… é uma forma de arranjarem dinheiro fácil, estão cá sozinhos… mas não deixei de sentir uma espécie de repugnância… quando já estava quase a ir embora. E já quase na esquina do el corte inglês, reparo num sorriso lindo, mesmo ali ao meu lado… era um rapaz ainda bem novo, com muitíssimo bom aspecto, cabelo escuro com gel ou molhado da chuva que caia… olhou para mim disse um adeus e sorriu e fez um sinal com a cabeça… confesso que pela primeira vez na minha vida fiquei de pernas a tremer. Nem mais… aquele sorriso havia despertado algo em mim… não estava a perceber bem o que era, se foi pena de ver um rapaz tão giro ali, a sujeitar-se a algo tão degradante, se fora a curiosidade de saber mais, se foi mesmo porque não vou esquecer aquele sorriso.
Já estava no marques de Pombal, quando me apercebi, que não podia ir embora assim. Eu não podia ir embora sem no mínimo ouvir a voz daquele rapaz… mas o que ia eu fazer? Como? Eu não ia chegar ali e meter conversa, como se de um cliente se tratasse… não, não podia ser… mas uma coisa eu sabia, eu precisava de ver aquele sorriso outra vez… tinha sido demasiado envolvente para simplesmente ignorar. Num perfeito acto de loucura e curiosidade e desejo… virei para a frente do sheraton hotel, passei junto a estatua do cutileiro apos uma breve paragem no vermelho e segui para cortar para a rua paralela ao António Augusto Aguiar, e lá estava eu na mesma esquina… então e agora???
Eu estava ali feito parvo a olhar a ver se via aquele sorriso… e cheguei tarde, nada… estava invadido por um misto de vergonha e frustração, estava ali no mesmo sitio a olhar a ver se o via… se via aquele sorriso, pensei - cheguei tarde já algum velho decadente e gordo… num daqueles Mercedes que não cabem num lugar de estacionamento comum… já o tinha levado a dar uma volta…
Ok.. acontece… esta na altura de voltar ao mundo real… era só um prostituto com bom aspecto… como eles existem tantos por ai e ninguém sabe…
Mas… eu tinha que ir embora sem o voltar a ver… não me parecia justo… mas quem disse que a vida era justa? Pois não é mesmo…
Mas … uns metros mais a baixo, ali estava com aquele casaco branco e com a sua t-shirt branca da billabong a olhar para mim e a sorrir… irresistível… tive que parar… e agora????
Todo eu estava a tremer, não so era a primeira vez que estava ali a parar, como estava a falar com um homem lindo… abri um pouco o vidro e ele veio logo apressadamente dizer boa noite… eu respondi…
Apertou-me a mão e sorriu-me, e disse então que se faz por aqui…
Ok… agora sim era a parte difícil, eu tinha que falar, ia ter que saber o que dizer, mas o que é que se diz a um prostituto? Pergunta-se o preço? O que faz? Sei lá… alguém me ajuda pensei em breves momentos…
Respondi-lhe depois do breve silencio… vim dar uma volta… ver o que por aqui esta…
E tu?perguntei eu .
Precisava de arranjar uns trocos extras vim até aqui…
E agora ele olhava para mim como se estivesse a espera que eu dissesse “então entra ai”
E agora… aiiiiiiiiii rapidoooo rápidoooooo
Então e quanto é? Perguntei eu… (eu não acreditava no que acabava de ter perguntado… não, porque eu não lhe disse que simplesmente tinha achado o sorriso dele lindo…quando havia passado e que não me consegui ir embora sem antes ter que falar com ele… era demasiado embaraçoso admiti-lo, não eu não o ia fazer, calculava que ele fizesse aquele sorriso a todos os que por ali passavam…)
Ele respondeu… 20 euros o broche, 30 euros tudo…
Ok… e agora sim eu estava alarmado… como é que alguém tão bonito com um olhar tão meigo e uma voz tão delicada e doce e com aquele sorriso que parecia ter sido iluminado… podia se vender por tão pouco… 20 euros? Mas … como … tão pouco??? Hummm ok disse eu…
E neste momento a minha curiosidade estava a tomar conta de mim e eu queria era saber o que era o tudo… e perguntei logo de seguida, o que era para ele o tudo… ou seja se ele era act ou pass.
Pronto desilusão, gostávamos do mesmo… lolol já não era assim tão perfeito… mas disse logo… que também tinha um forte lado de versatilidade…
E eu pensei logo… tu queres é dinheiro…
Fiz um ar de lamentação e quando ia para dizer que me ia, ele sorriu e disse… posso saber como te chamas? E eu… K medooooo, muito medo… mas respondi, como se aquele sorriso de miúdo grande, tivesse me dado alguma segurança, então e o teu? Eu sou o Miguel (possivelmente ele mentia no nome dele, tal como ele deveria ter pensado que eu menti no meu) e disse logo, muito prazer. Como sempre respondi muito gosto, e pisquei o olho… e ele disse “se um dia tivesse um filho, gostava que tivesse o teu nome, gosto muito, se pudesse mudar o meu nome metia o teu em vez do meu primeiro nome que odeio… é porque Miguel é o meu segundo nome” aiiiiiii neste momento eu estava em pânico como é que eu me descartava, como é que eu saia dali? Eu sorri e quando me preparava para falar e dizer que ia embora… ele diz logo… a sério não penses que estou a dizer isto so por dizer. Gosto mesmo muito do teu nome, um nome tipicamente português e sem correspondência em mais nenhuma língua..”
E neste momento, eu estava mesmo assustado… afinal aquele lindo sorriso, era mesmo alguém com algum género de inteligência não era um daqueles que vinham das barracas, so porque haviam percebido que aquela era a forma de ganhar algum dinheiro… sacado aos senhores que ali iam. Acredito que muitos fossem assaltados por aqueles rapazes… porque o ar deles era do mais duvidosos possível.
Mas aquele parecia em tudo diferente. No sorriso a postura o aspecto… mesmo sem falar com os outros dava para perceber que aquele tinha conversa…
Fiquei ainda mais assustado… 20 euros… tão pouco… as minhas pernas tremiam… o que fazer? Digo que só ali estava para o ver??? Não, demasiado ridículo, ele ainda dizia… que eu estava a faze-lo perder tempo… ele fazia um olhar muito simpático e sorria de forma ligeira, como se esperasse por um, podes entrar.
Foi muito simpático falar contigo Miguel, dizia eu enquanto ajeitava o cinto e ligava o carro, ele olhou para mim com um ar triste que não vou esquecer tão depressa, e meio por entre a pequena fresta da janela disse. Já te vais? Eu sou versátil.
Já não sabia o que fazer, eu não ia dar dinheiro para ir para a cama com alguém, não é contra os meus princípios, ainda sou demasiado novo para precisar desse género de serviços, e depois o risco que seria, ir com alguém que se prostitui. Mas a realidade é que o perigo também se esconde em pessoas que as vezes nem sonhamos...
Mas quase em tiro de desespero, como se eu fosse a tábua de salvação, ele disse “mas eu também beijo se quiseres”, ok, eu estava mesmo assustado, parecia que não havia sido só eu a sentir alguma empatia, ou será que aquilo era conversa já habitual? Não sei estava cheio de duvidas, queria sair dali o mais rápido possível… disse vou dar mais uma volta, espero que nos vejamos daqui a pouco.
Ele fez um olhar e um sorriso triste e disse ok.. até já e afastou-se um pouco.
Eu estava destroçado, mas não sabia bem porque, era como se tivesse acabado deixar ali a traz uma criança chorosa e perdida no meio de uma multidão devassa e decadente… a chuva estava agora mais intensa, ajudando ainda mais a turvar-me a vista… fiz inversão de marcha e voltei a passar por ele… abri o vidro meti a mão de fora fiz um pequeno sinal de adeus e disse “tens um sorriso lindo” ele olhou deu um pequeno sorriso e disse “e tu tens uns lábios perfeitos” e acenou com a mão.
Já estava de novo a caminho de casa, o caminho foi breve e a pensar naqueles breves momentos, e no turbilhão de ideias, tudo tinha me parecido incrivelmente surreal, pensei que por momentos a minha vida tivesse ganho a dimensão de uma tela de cinema e eu não passasse de uma daquelas personagens parvas que ainda se apaixona. Nada daquilo me parecia real ou verdadeiro, pensei ter sonhado… toda aquela beleza numa so pessoa? Não é possível, simplesmente não era possível, não era possível ele estar ali a prostituir-se, não era possível eu ter dito o que disse, não era possível eu ter saído dali sem o numero de telemóvel, não era possível eu ter metido conversa, e 20 euros por aquilo? Também não era possível, como???? Era como estar na fashion clinic e comprar prada por 20 euros, não, era irreal.
Não sabia se estava contente por ter metido conversa, ou se estava triste por tudo aquilo ser tão lamentável, como é que será que ele esta pensava eu…
Fiquei destroçadamente confuso, sentia pena? Desejo? Curiosidade? Afecto? Apenas lamentava? Não sei, acho que sentia tudo e muito mais. E pensava apenas como é possível.
Daqui a pouco voltarei la a passar para ver se vejo tão belo brilho.
Ok… tive azar… nada… nem vestígios de um brilho diferente.
Life goes on…